quinta-feira, março 20

Go get'em boys! ou Iraq for Dummies

Não posso ficar sem me manifestar sobre a mais nova guerra que se assoma sobre nossas cabeças. Quero comentar um pouco sobre o anti-americanismo. Porque as pessoas são tão rapidinhas em criticar os Estados Unidos por quererem fazer a justiça com as próprias mãos? Demonizar o Bush e defender o pobrezinho Saddam é a bola da vez. Afinal de contas, o Saddam só tortura quem lhe incomoda, mata membros da própria família que são suspeitos de traição, provoca briguinhas com todos os seus vizinhos na tentativa de aumentar seu mercado petrolífero, apriosiona os familiares de todos os potenciais dissidentes (que já foram devidamente executados, obviamente) e oprime os direitos das mulheres, como em todo estado islâmico radical. O Bush, por sua vez, tem um pepino nas mãos desde 9-11, tem uma formação política incompleta, se cercou de falcões militaristas desde o princípio (Colin Powell, Donald Rumsfeld), e sofre uma influência cada vez maior da direita católica radical, que defende a formação do Estado de Israel, ao contrário dos católicos normais, que são até um pouco anti-semitas. Com tudo isso acontecendo, é óbvio que a atitude esperada é acabar com todas as ameaças ao velho e bom estilo de vida americano, e eu aposto que se o alvo fosse, digamos, o Qaddafi e sua coitadinha Líbia, ninguém estaria muito incomodado, afinal de contas, eles já tem um histórico, e não tem nenhum interesse econômico na Líbia, como, por exemplo, uh, petróleo. Agora, há quem diga que o objetivo da campanha é se apoderar do petróleo, mas vamos lembrar que as empresas petrolíferas são responsáveis por 6% do PIB dos Estados Unidos, e com certeza não é rentável prejudicar os outros 94% com a habitual queda de rendimento durante atividades militares. Sabemos que todo esse armamento misterioso que o Iraque tem é fruto da campanha armamentista feita pelos países capitalistas para ajudar o país durante o confronto contra o Irã, que na época era o malvadão da vez, mas as circunstâncias eram outras. Tudo o que está acontecendo agora é fruto da vontade dos EUA de espalhar os seus valores de democracia e liberdade por cima dos outros regimes menos eficientes, principalmente aqueles baseados em fanatismo religioso, que se guiam por interpretações livres de um livro que tem milhares de anos. O problema é que este anti-americanismo é fruto da inveja do resto do mundo, pois eles vivem numa opulência e poderio nunca vistos na história, que rivaliza até o Império Romano, nas suas devidas proporções. Ou talvez ressentimento, já que basicamente toda a Europa teve que ser ajudada pelos EUA durante a 2a. Guerra. Temos agora um monte de países que querem permanecer neutros, e vamos lembrar, por exemplo, que a última vez que a França quis permanecer neutra, precisou dos Estados Unidos para ser liberada. Vamos ver agora a legalidade deste ataque. A resolução 1441 da ONU diz que caso o Iraque não se desarmasse, sofreria graves consequências. Não temos aí explicitamente dito "intervenção militar", mas o que mais pode ser uma grave consequência, visto que o resto já está acontecendo (embargos econômicos, empobrecimento geral do país, opressão à liberdades básicas...). Podemos até nos basear naquela velha filosofia de "cada um faz o que quer dentro da sua casa", mas sabemos que a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro, e se esta liberdade está sendo ameaçada, ela deve ser defendida. Nós estamos entrando em um novo momento na história do mundo, onde os inimigos não estão contidos por linhas geográficas. Vamos esperar para ver o que acontece.

Ok. Fire at will.