SR-71 - What a MessMinha última reclamação
Daqui a algum tempo, quando eu reler este post nos meus arquivos, vai ficar nítido que foi motivado por um rancor cortante que sempre acompanha o desmoronamento daquela pilha de tentativas frustradas que costumamos chamar de "relação". Quando acaba, é um alívio, frustrante, mas um alívio.
Na maior parte dos relacionamentos, as pessoas não sabem acabar. Acabam muito depois do que teria sido razoável. Acabam não quando ainda resta alguma coisa aproveitável, e sim quando não resta nada mais que sofrimento desnecessário. Normalmente, é irreparável a dor que vem do prolongamento em vão do que deveria ter sido encerrado lá atrás. Muitas vezes, somos detidos por covardia, às vezes por um último, penúltimo ou antepenúltimo sopro de esperança. E às vezes por uma inércia sem explicação. O fim geralmente é claro, mas a gente finge que não vê. Onde havia compreensão e tolerância, surge a impaciência. Onde havia generosidade, aparece um rigor cruel. Onde havia disposição para dividir, surge o egoísmo. Onde havia ternura, grosseria. Existe sempre um momento exato para o fim, mas a maior parte das vezes, só o vemos muitas semanas, meses ou anos depois. É aquele momento onde alguma coisa se rompe, para sempre. E mesmo assim, seguimos em frente como um trem prestes a descarrilar. As primeiras acusações feitas por uma parte e admitidas pela outra. A primeira agressão sofrida e tolerada. É nesse momento onde o mais sensato seria acabar, mas sempre tentamos levar a coisa adiante. Grande erro.
Nesse vai-e-vem de relacionamentos, cada vez se aprende uma coisa diferente. Dessa vez, o que eu aprendi foi o seguinte: o passado e o futuro não existem. Só o presente. O passado já passou. Não importa mais. Para que ficar se atormentando com o que já aconteceu e não pode ser mudado? O futuro ainda não existe. Porque se preocupar com ele, se não temos idéia do que será o amanhã? Temos que viver o aqui e agora, sem voltar a mente para o passado nem encaminhá-la para o futuro. E isso se aplica perfeitamente na vida romântica. Quanto tempo os casais não perdem em brigas
por causa do passado ou do futuro? Esse tempo desperdiçado poderia ser desfrutado se nos focássemos em aproveitar o que está acontecendo agora. Hoje eu amo você e você me ama, e estamos felizes assim. Isso é a felicidade. Mas o que acontece é quase sempre o oposto. Recriminações e amarguras por coisas passadas. Preocupações neuróticas por causa de um futuro cuja existência só está na nossa cabeça. E aí, cruelmente jogamos fora o que poderiam ser momentos de prazer.
Para mudar isso, devemos entender que tudo é impermanente. Tudo que começa um dia vai acabar. Tudo o que se ergue, um dia se destrói. Tudo passa. A juventude. O vigor. O cargo. A carreira. O amor. Isso é a impermanência. Não dá para tentar segurar o tempo, e não dá para apressar o ritmo da vida. Se compreendermos isso, vamos estar preparados para viver o aqui e o agora. O amanhã? Quem sabe? E o que importa? E pior ainda: não dá para controlá-lo! Amanhã você vai estar junto da pessoa que tanto ama hoje? Você pode se atormentar com essa dúvida e estragar grandes momentos. Ou apenas aproveitar o presente. Aí eu me dou conta como as pessoas perdem coisas na vida amorosa, por estarem presas ao passado ou cheias de preocupação e ansiedade em relação ao futuro. Tanta felicidade ao alcance das mãos e a opção pela dor, pelo medo e pelo rancor.
Todo mundo sabe que eu não costumo me aproximar da Bíblia, mas esta história de impermanência me leva ao Eclesiastes. Procurem dar uma lida. Mas neste sentido, também se aproveita uma outra passagem do mesmo livro, especificamente Eclesiastes 4:6 a 4:11, e eu transcrevo:
Melhor é um punhado com tranqüilidade do que ambas as mãos cheias com trabalho e vão desejo. Há um que é só, não tendo parente; não tem filho nem irmão e, contudo, de todo o seu trabalho não há fim, nem os seus olhos se fartam de riquezas. E ele não pergunta: Para quem estou trabalhando e privando do bem a minha alma? Também isso é vaidade e enfadonha ocupação. Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? |
Pois é... acho que mais ou menos isso era tudo o que eu tinha para falar. Também estou aprendendo a não ficar martelando na mesma tecla, então vocês não vão mais escutar nada de mim sobre este assunto. Não escrito, pelo menos. Espero que minhas lições sirvam para alguém, se bem que para errar, não adianta ser avisado. Tem que cair e levantar.
Gatinhas
Ruivinha gostosa
Felicity Fey [uma ninfeta!]
House of Lust [uma festinha!]
Quer muito mais gatinhas? Visite o Coolio's Babelog!

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home